domingo, 2 de junho de 2013

Era uma vez um saco sem fundo chamado trânsito em Salvador

O cenário é a capital baiana e na história você acorda, toma um banho, faz uma boa refeição, planeja todos os compromissos do dia, checa e-mails e redes sociais até que chega a hora de sair de casa. A ordem da cena não é necessariamente esta que eu citei, mas no final da esquete sempre chega o momento de seguir rumo à escola, faculdade ou ao trabalho. Tudo como havia sido planejado no roteiro a não ser um ponto que vem tirando muita gente do sério e até comprometendo a saúde de muitos por aí. Do que eu estou falando? De trânsito engarrafado!

Segundo o Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo, um engarrafamento não só tira o motorista do sério como também pode provocar sérios problemas nos ossos, músculos e até na circulação. Ainda segundo a publicação, aqueles simples movimentos repetitivos de troca de marcha podem causar tendinite no punho e bursite no ombro. Já os movimentos de pisar no freio e na embreagem podem causar dores nos tornozelos e nas pernas. E por mais que o banco do carro seja o mais macio e confortável, ficar sentado na mesma posição por longos períodos pode gerar problemas circulatórios e até lesões na lombar. A coisa só piora...

Eu mesmo acredito que a tendência é sempre piorar quando se trata de trânsito. Não tem túnel, viaduto, passarela, faixa exclusiva ou metrô que resolvam o problema. Enfrento longos congestionamentos todos os dias e tenho observado que não há mais hora do rush. Se saio de casa às 7h vou enfrentar o mesmo trânsito carregado das 10h. Voltar pra casa às 19h ou às 21h também já não faz mais tanta diferença. E eu não estou falando só de segunda a sexta, não! Quando trabalho aos sábados e volto pra casa por volta do meio dia, também acabo encontrando alguma retenção no meio do caminho.

Seja de ônibus, carro ou moto o quadro não muda. A diferença é que o problema não chega a ser tão grave para os motociclistas, que na maioria das vezes acabam encontrando uma brecha para passar entre os carros e fugir do inferno que é um engarrafamento. Já para quem vai de ônibus a coisa é bem pior, quase impossível. 

Ando pensando seriamente em transformar a bicicleta no meu principal meio de transporte. Acho que seria até mais agradável. Mas pensando bem, com a violência desenfreada em Salvador ganhando destaque pelo mundo a fora em sites internacionais, definitivamente não é uma boa ideia. Se andar pelas ruas da cidade está se tornando cada vez mais arriscado, imagina pedalar...

Vou continuar fazendo as minhas rotas de carro ou à bordo de um ônibus. Para amenizar a situação vou fazer uma boa playlist e gastar um pouco mais com a gasolina para usar e abusar do ar condicionado. Quando nem isso conseguir mais amenizar o problema eu espero já ter comprado o meu jatinho!

Corta!

sábado, 16 de março de 2013

Pérolas escondidas por trás do anonimato

Recentemente "Camaro Amarelo" da dupla Munhoz e Mariano foi apontada como a Música do Ano de 2012 em uma grande premiação. No dia seguinte minha home do Facebook e do Twitter estavam infestadas de manifestações daqueles que acharam um verdadeiro absurdo esta nomeação. O curioso é que ao mesmo tempo em que uma enxurrada de reclamações surgiram, esses caras de fato emplacaram a música nas rádios do país inteiro, lotaram shows e em pouco tempo conseguiram vender milhares de cópias de CDs e DVDs em todo o país. O que há de errado, então? Nada!

Nada errado porque se há o investimento em canções como "Camaro Amarelo", "Ai se eu te pego", "Assim Você Mata o Papai" etc. é porque existe uma maioria que vai curtir, compartilhar e comprar isso. Mas o que me incomoda não é a qualidade contestável deste tipo de música. O pior pra mim é o pensamento que surge a cerca de que de que tudo aquilo que é novo não presta, que só antigamente ocupávamos nossos ouvidos com obras louváveis.

Em gêneros musicais que ficaram estigmatizados por uma esta mesma qualidade contestável, esse tipo de situação é facilmente identificada. Funk, Hip Hip, Pagode, Arrocha e afins parecem não ter vez no set list dos mais criteriosos. E por causa deste preconceito, coisas muito interessantes surgem e acabam se perdendo. 

Por mais que estas músicas de letra e melodias fáceis, com direito até a dancinhas, façam muito sucesso, elas não se eternizam. Elas não conseguem marcar um movimento musical, um compositor ou um intérprete. A música que se eterniza, desde que o samba é samba, é a que foi feita de fato querendo dizer algo. Mas hoje em dia esse preconceito impede que estas obras se mostrem e tenham algum espaço. As pessoas deixam de se propor a ouvir e conhecer o que é novo e bom para poder crucificar aquilo que é apontado como ruim.

Um exemplo é a canção "Rainha" do Mc Romeu. Ela foi lançada há alguns anos mas me impressiona pelo belo resultado obtido através do bom casamento feito ao unir uma letra forte com uma batida de funk, que é conhecido mundialmente por ser musicalmente marcante. 

Um outro bom exemplo é uma canção recente chamada "Vagalumes" da banda Pollo. Nesse caso a letra não chega a ser tão forte como "Rainha", mas se trata de uma verdadeira declaração de amor. A melodia é de um Hip Hop (ou seria Rap?) que só por ser Hip Hop, e ainda que fosse Rap, já afasta dos mais "criteriosos" qualquer possibilidade de ser ouvida e considerada como algo de qualidade.
É lamentável chegar a conclusão de que o preconceito é algo comum até quando se fala em música. Mas pensando nestes dois exemplos que citei, talvez o preconceito esteja no fato de se tratar de dois gêneros que surgiram das classes mais baixas e que são apreciadas e valorizadas por esta classe. Mas enfim, isso é assunto pra outra postagem.


Não tenho um artista ou banda prediletos justamente porque gosto de ouvir tudo. É lógico que dentro deste tudo eu tenho as minhas preferências. Mas se tem algo que eu gosto de fazer é descobrir música nova e boa. Isso dá um alívio porque me faz perceber que nem tudo está perdido. Existem muitas pérolas por aí escondidas por trás do anonimato. Quem se propor a embarcar nesta busca com certeza não vai se arrepender. Faço isso a anos e posso afirmar que o saldo final é positivo.