sábado, 16 de março de 2013

Pérolas escondidas por trás do anonimato

Recentemente "Camaro Amarelo" da dupla Munhoz e Mariano foi apontada como a Música do Ano de 2012 em uma grande premiação. No dia seguinte minha home do Facebook e do Twitter estavam infestadas de manifestações daqueles que acharam um verdadeiro absurdo esta nomeação. O curioso é que ao mesmo tempo em que uma enxurrada de reclamações surgiram, esses caras de fato emplacaram a música nas rádios do país inteiro, lotaram shows e em pouco tempo conseguiram vender milhares de cópias de CDs e DVDs em todo o país. O que há de errado, então? Nada!

Nada errado porque se há o investimento em canções como "Camaro Amarelo", "Ai se eu te pego", "Assim Você Mata o Papai" etc. é porque existe uma maioria que vai curtir, compartilhar e comprar isso. Mas o que me incomoda não é a qualidade contestável deste tipo de música. O pior pra mim é o pensamento que surge a cerca de que de que tudo aquilo que é novo não presta, que só antigamente ocupávamos nossos ouvidos com obras louváveis.

Em gêneros musicais que ficaram estigmatizados por uma esta mesma qualidade contestável, esse tipo de situação é facilmente identificada. Funk, Hip Hip, Pagode, Arrocha e afins parecem não ter vez no set list dos mais criteriosos. E por causa deste preconceito, coisas muito interessantes surgem e acabam se perdendo. 

Por mais que estas músicas de letra e melodias fáceis, com direito até a dancinhas, façam muito sucesso, elas não se eternizam. Elas não conseguem marcar um movimento musical, um compositor ou um intérprete. A música que se eterniza, desde que o samba é samba, é a que foi feita de fato querendo dizer algo. Mas hoje em dia esse preconceito impede que estas obras se mostrem e tenham algum espaço. As pessoas deixam de se propor a ouvir e conhecer o que é novo e bom para poder crucificar aquilo que é apontado como ruim.

Um exemplo é a canção "Rainha" do Mc Romeu. Ela foi lançada há alguns anos mas me impressiona pelo belo resultado obtido através do bom casamento feito ao unir uma letra forte com uma batida de funk, que é conhecido mundialmente por ser musicalmente marcante. 

Um outro bom exemplo é uma canção recente chamada "Vagalumes" da banda Pollo. Nesse caso a letra não chega a ser tão forte como "Rainha", mas se trata de uma verdadeira declaração de amor. A melodia é de um Hip Hop (ou seria Rap?) que só por ser Hip Hop, e ainda que fosse Rap, já afasta dos mais "criteriosos" qualquer possibilidade de ser ouvida e considerada como algo de qualidade.
É lamentável chegar a conclusão de que o preconceito é algo comum até quando se fala em música. Mas pensando nestes dois exemplos que citei, talvez o preconceito esteja no fato de se tratar de dois gêneros que surgiram das classes mais baixas e que são apreciadas e valorizadas por esta classe. Mas enfim, isso é assunto pra outra postagem.


Não tenho um artista ou banda prediletos justamente porque gosto de ouvir tudo. É lógico que dentro deste tudo eu tenho as minhas preferências. Mas se tem algo que eu gosto de fazer é descobrir música nova e boa. Isso dá um alívio porque me faz perceber que nem tudo está perdido. Existem muitas pérolas por aí escondidas por trás do anonimato. Quem se propor a embarcar nesta busca com certeza não vai se arrepender. Faço isso a anos e posso afirmar que o saldo final é positivo.