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Comida de verdade e comida de latinha

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Uma das maiores dificuldades que eu tive no processo de adaptação à vida canadense foi conseguir me acostumar com a comida daqui. O café da manhã não era problema porque eu basicamente tomava um leite com cereal, torradas e suco ou iogurte. O jantar era a melhor refeição que eu fazia durante o dia. A minha ''mãe'' é uma excelente cozinheira e todos os dias preparava pratos maravilhosos. As massas e as saladas que ela preparava eram coisas de outro mundo! E eu nem precisava repetir porque ela sempre me servia pratos enormes. O que geralmente acontecia era eu ficar satisfeito, mas ainda assim comer tudo que ainda estava no prato para não desperdiçar e fazer desfeita.  O grande problema era com o almoço. Durante o período de estudo eu tinha que almoçar na rua, já que a primeira aula acabava às 12h e a segunda começava às 13h. Passei um bom tempo entre pizza e sanduíche. Parei porque aquilo não estava me fazendo bem e também porque eu aqui sempre tive medo de ficar do...

O segredo é não parar de falar

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Assim que abri o blog para fazer esta postagem percebi que a última havia sido feita há um mês e alguns dias. O tempo tem passado tão rápido que as vezes eu até me assusto... Fico até me perguntando como foi que o meu primeiro mês aqui em Toronto pareceu uma eternidade e, no entanto, de um tempo para cá o relógio tem dado voltas numa velocidade fora do normal. Acho que isso é porque as coisas por aqui deixaram de ser novidade e eu já não me sinto mais um estranho nessa terra que é fria mesmo em dias tão ensolarados que me fazem lembrar o céu de Salvador. Desde o meado do mês de abril a minha rotina mudou bastante por aqui. Isso porque as minhas aulas acabaram. Como eu já falei em postagens anteriores, esse intercâmbio conta com três meses de estudo e três meses de trabalho ou WEP ( Work Experience - Experiência de Trabalho). No meu segundo dia de Toronto eu já estava na escola tendo aula das 9h às 16h. A primeira aula era das 9h às 12h, a segunda das 13h às 14h30 e a terceira das...

Saio de casa pela segunda vez

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Depois de exatos dois meses da minha chegada à esta cidade gelada chegou a hora de sair da homestay , a casa de família canadense. O meu programa de intercâmbio incluía apenas um mês de homestay , mas eu e meus pais achamos melhor pagar mais um mês porque eu não consegui achar um lugar pra ficar. Na verdade eu acabei deixando para procurar em cima da hora e também procurei nos sites errados, que por terem anúncios desatualizados me fizeram ligar para várias pessoas atrás de um quarto que na verdade já havia sido alugado. Uma professora me sugeriu um site que foi onde eu finalmente encontrei um canto pra mim. Morar em casa de família foi maravilhoso! Na época eu reclamava um pouco, mas só depois que saí fui ter noção do quanto que era bom. Eu morava com Sue, uma canadense de 53 anos, e Daxi, seu gato. A minha queixa com relação à casa era o fato de ela ser um pouco fria. Até hoje não sei se o aquecedor era fraco ou se eu sou mais friorento do que imagino. Outra coisa que me incom...

Sobre a saudade

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Com a viagem marcada para o dia 25 de janeiro, um sábado, foi justamente no início dessa semana que eu comecei a sentir o quanto que Salvador ia me fazer falta. Como tive que andar muito pela cidade para resolver alguns problemas que eu não ia poder resolver à distância, eu ia observando atentamente cada pedacinho de Salvador. Era como se eu quisesse lembrar perfeitamente de tudo enquanto estivesse fora. Como se fosse possível esquecer em seis meses do lugar onde eu vivi a vida inteira. Marquei uma reunião com amigos e família para a véspera da viagem, na sexta-feira, mas durante a semana fui encontrando os amigos que não iam poder comparecer. E no dia anterior, na quinta, fui com outros amigos a um ensaio de verão de Margareth Menezes. Como sou completamente apaixonado por samba-reggae, aquele dia foi bastante especial porque era o último show que eu ia assistir na cidade antes de viajar. E para tornar a noite ainda mais especial, Margareth ainda ia contar com a participação de D...

O significado da palavra frio

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Meses antes de comprar as passagens muita gente já me alertava quanto ao frio de Toronto nesse período de início de ano, em especial neste inverno que tem sido o mais rigoroso das últimas décadas por aqui . Mesmo tendo uma vaga noção do que iria encontrar, eu só fui comprar roupa de frio na semana da viagem. Coloquei na mala alguns suetérs e dois casacos bem grossos. Não comprei muita coisa porque no Canadá roupa de inverno é muito mais barata que no Brasil. Sem falar que um casaco de frio que é vendido em Salvador dificilmente vai ser ideal para o frio típico de um inverno canadense. Cheguei de manhã ao aeroporto Aeroporto Internacional Pearson de Toronto em uma viagem cansativa que levou dez horas partindo do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Estava usando uma camisa, suéter, casaco, luvas de tecido, calça jeans, tênis e duas meias em cada pé. Rafael, meu amigo que mora aqui com a esposa Bebel, foi me buscar. Enquanto estava lá dentro ainda não tinha sentido o ...

Canadá!

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Depois de muito tempo estou de volta a este espaço e espero não demorar mais tanto para escrever aqui. A vontade de postar já era antiga, mas neste último ano estive dividido entre a reta final da faculdade (agora sou jornalista com diploma!), o estágio na rádio e alguns cursos que eu fiz no pouco tempo que me sobrava durante a semana. Nos últimos meses de 2013 eu também comecei a me preparar para um intercâmbio na cidade de Toronto, no Canadá. Comecei pensar na viagem ainda nos primeiros semestres da faculdade. Já fazia curso de inglês em Salvador, mas achava que nada seria tão interessante para aprender o idioma quanto um intercâmbio em um país de língua inglesa. A escolha pelo Canadá a principio foi por ser um lugar mais barato e onde eu ia ter a possibilidade de ter visto de estudo e trabalho. O que também influenciou a minha escolha foi o fato de eu ter um grande amigo morando aqui com a esposa há quase três anos. Dei entrada em todo o processo no inicio do ano passado at...

Era uma vez um saco sem fundo chamado trânsito em Salvador

O cenário é a capital baiana e na história você acorda, toma um banho, faz uma boa refeição, planeja todos os compromissos do dia, checa e-mails e redes sociais até que chega a hora de sair de casa. A ordem da cena não é necessariamente esta que eu citei, mas no final da esquete sempre chega o momento de seguir rumo à escola, faculdade ou ao trabalho. Tudo como havia sido planejado no roteiro a não ser um ponto que vem tirando muita gente do sério e até comprometendo a saúde de muitos por aí. Do que eu estou falando? De trânsito engarrafado! Segundo o Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo, um engarrafamento não só tira o motorista do sério como também pode provocar sérios problemas nos ossos, músculos e até na circulação . Ainda segundo a publicação, aqueles simples movimentos repetitivos de troca de marcha podem causar tendinite no punho e bursite no ombro. Já os movimentos de pisar no freio e na embreagem podem causar dores nos tornozelos e nas pernas. E por mais que o ban...