terça-feira, 10 de maio de 2016

Fuga

Sempre gostei muito de dormir. Não consigo ver sentido em dizer que dormir muito é perda de tempo. Não consigo achar interessante viver perdendo noite aproveitando as supostas possibilidades infinitas dos acasos da vida.

Nos finais de semana e feriados eu durmo até não conseguir mais ficar na cama. Até perder o sono por fome ou por dor no corpo depois de tanto tempo deitado. Mas durante a semana é diferente independente de estar trabalhando e ter obrigação com o relógio.

Há algum tempo dormir virou uma fuga. Quando estou ansioso ou triste, separo um momento do dia para tirar um longo cochilo. Ou então deito mais cedo que o de costume e só levanto no dia seguinte.

Percebi que funciona como uma espécie de anestésico contra ansiedade já que faz o tempo passar rápido e o que está por vir chegar mais depressa.

Mas o termo fuga faz mais sentido quando se trata de tristeza. Tenho certa facilidade para sonhar. Na verdade não sei se facilidade seria a palavra mais apropriada. Mas mesmo com a maior das trisetzas, um sono raramente me leva a ter pesadelos. Pelo contrário, dou início ao ritual de dormir pensando no que me entristece, nas possibilidades e insisto em ser otimista involuntariamente.

A minha ideia de que sonhar não custa nada e que só eu vou saber a história que vai se passar em minha cabeça me faz deixar a imaginação fazer o passeio que ela quiser. Acabo pegando no sono assim. Raramente sonho com o que fiquei imaginando, mas tenho um bom sono e um bom sonho.

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